+
Dentre todos os planos mal acabados, as multidões de bussolas quebradas, os olhares desviados, as fotos desfocadas, os amores sem linha de chegada, os trens sem data de partida, os precipícios sentimentais, os descasos humanitários, surgiu você. Dentre todas as datas marcadas, os carnavais acabados, as férias de mim, as paixões com seus fins, os bocejos de tédio, as semanas inacabáveis, os sorrisos escondidos, a beleza oculta da alma, a poesia de cada olhar e o amargo gosto do chorar, surgiu você. Dentre todos os conceitos ditados, os casais predestinados, o mundo parado, o olhar cansado, a rotina infeliz, o término gris. Dentre a humanidade desumana e o amor que ironicamente esgota-se de tanto amar, surgiu você. Com o esboço da perfeição e o rascunho dos defeitos mais comuns, que me pareciam mais os adjetivos mais incríveis, as virtudes mais apuradas e os olhos mais sorridentes. Com a aparência intimidadora, feito um diamante, que não se quebra, não se risca… Entretanto, valioso e límpido, diáfano e translúcido. Iluminador a cada meio sorriso, a cada olhar direcionado. Dentre todos os pesares, justificativas, direção falha, sorrisos foscos, surgiu você. Mudando conceitos, invertendo caminhos, construindo novas estradas. Que ao invés de conceitos, concebia-me sentidos. Ao invés de explicações, concebia-me o coração que pulsa fortemente ao ver teu ar cruzar com o meu. Ao invés da razão, constante e tediosa, deu-me o sentir, inquebrável e transparente, como um diamante e tua alma.

Metafrasta, Maria Clara Beta.

+
E eu morreria por você. Esbravejo este fato sem a mera dúvida me rondar, corrôo-me com a célere idéia da tua necessidade, seja qualquer que fosse, eu a conceberia de maneira sublime. Até mesmo a minha vida. Porque aqui é a passagem, e se levares contigo a bagagem de que teu coração pulsa porque causei, poderia morrer por ti, porque assim, tu viverias por mim. (…)
Era gratificante observar. Apesar de narrador oculto, implícito em pensamentos obscuros de um personagem sonhador de vida própria – que mesmo fazendo parte da minha história, não havia manejo meu em suas ações pré-destinadas – e outras séries de pesares e fins, a visão era airosa. Tudo o que eu divisava era um casal juvenil enamorado, voejava em pensamentos, substituindo um dos amantes pelo meu eu carecido, mas não era semelhante ao fogo da paixão, que ardia e queimava lentamente, arrastava-os para os diversos céus e dimensões, e em um suspiro de alegria, consumiam-se nas palavras doces e na saudade que apertava no peito de cada um dos amantes. E eu não fazia parte disso. Entretanto, a beleza inconfundível da jovialidade coberta de vida do casal, ressarcia-me. Apesar da minha exclusão. Apesar de não entender fartamente tal sentimento. Apesar do fogo não ser em mim, e o júbilo incessante não ser suscitado pelo meu espírito amante descontente. Apesar da constante vontade de intervir em tal adorável situação e traze-la para meus versos nobres, onde além de oculta, seria personagem. Apesar da alacridade dele influenciar na falta da minha e provocar o regozijo dela. Apesar dos pesares infindáveis e da vontade que grita silenciosamente para percorrer tal calor que foge-me… Aqui estou, admirando, com a alma preenchida e a mente transbordando versos nobres. Sim, aqui estou, planificada em um pretérito amargo coberto pelo fogo que agora vejo. E por fim, aqui estou, observando o inicio do fim de um casal apaixonado, pois que há fim, há. E isto quem decide não é minha humilde mente, mas sim o injusto destino, pois a única lei que há na insana e desgovernada paixão é: ela é finita.
E em meu intelecto pestaneja o questionamento do por que do finito, da razão do extremo. Aquele casal amante e jovem, coberto e transbordante pelo almejo de viver e amar-se, um dia, será substituído por outro par, talvez, quase tão belo de observar quanto este me agrada a vista. Porém, ainda sim, serei narrador paralelo, oculta, implícita, com um milhão de almejos, entretanto, ainda a observar e nunca sentir tal quentura. Mas não me incomodo. Pois como já grafado em versos cobertos de desespero, sei que é finito. E tal fervor que aquece a alma e acalma o espírito, longo transformar-se-á no gélido adeus. Seja no romper do jovial casal, ou na morte de um singular. Entretanto, a beleza inconfundível da natureza apaixonada, nunca falecerá e perdurará em gelidez eterna, e é por isso, que os observo amar. 
(metafrasta)

Era gratificante observar. Apesar de narrador oculto, implícito em pensamentos obscuros de um personagem sonhador de vida própria – que mesmo fazendo parte da minha história, não havia manejo meu em suas ações pré-destinadas – e outras séries de pesares e fins, a visão era airosa. Tudo o que eu divisava era um casal juvenil enamorado, voejava em pensamentos, substituindo um dos amantes pelo meu eu carecido, mas não era semelhante ao fogo da paixão, que ardia e queimava lentamente, arrastava-os para os diversos céus e dimensões, e em um suspiro de alegria, consumiam-se nas palavras doces e na saudade que apertava no peito de cada um dos amantes. E eu não fazia parte disso. Entretanto, a beleza inconfundível da jovialidade coberta de vida do casal, ressarcia-me. Apesar da minha exclusão. Apesar de não entender fartamente tal sentimento. Apesar do fogo não ser em mim, e o júbilo incessante não ser suscitado pelo meu espírito amante descontente. Apesar da constante vontade de intervir em tal adorável situação e traze-la para meus versos nobres, onde além de oculta, seria personagem. Apesar da alacridade dele influenciar na falta da minha e provocar o regozijo dela. Apesar dos pesares infindáveis e da vontade que grita silenciosamente para percorrer tal calor que foge-me… Aqui estou, admirando, com a alma preenchida e a mente transbordando versos nobres. Sim, aqui estou, planificada em um pretérito amargo coberto pelo fogo que agora vejo. E por fim, aqui estou, observando o inicio do fim de um casal apaixonado, pois que há fim, há. E isto quem decide não é minha humilde mente, mas sim o injusto destino, pois a única lei que há na insana e desgovernada paixão é: ela é finita.

E em meu intelecto pestaneja o questionamento do por que do finito, da razão do extremo. Aquele casal amante e jovem, coberto e transbordante pelo almejo de viver e amar-se, um dia, será substituído por outro par, talvez, quase tão belo de observar quanto este me agrada a vista. Porém, ainda sim, serei narrador paralelo, oculta, implícita, com um milhão de almejos, entretanto, ainda a observar e nunca sentir tal quentura. Mas não me incomodo. Pois como já grafado em versos cobertos de desespero, sei que é finito. E tal fervor que aquece a alma e acalma o espírito, longo transformar-se-á no gélido adeus. Seja no romper do jovial casal, ou na morte de um singular. Entretanto, a beleza inconfundível da natureza apaixonada, nunca falecerá e perdurará em gelidez eterna, e é por isso, que os observo amar. 

(metafrasta)

O infinito soa como um lar. Pertenço ao infindável.
Despertei e afundei-me em mim, pois pertenço ao intenso. O dia passou e perdura em mim o almejo de fugir. Em mim não é o meu lugar predileto, pois possuo extremos: fins. E eu pertenço ao infindável.
Quero morar no amor.
Pois a finita paixão já não me satisfaz. Quero ser viva.
“Mas é claro que você está viva.” O pensamento estúpido cortava minha poesia. “Seus cabelos voam, seu coração pulsa… Você vive, idiota.” Minhas reflexões intervêm na maior delas: minha constante prosa.
Mas aonde eu estava?
Ah sim… É claro! QUERO SER VIVA! Maiúsculo mesmo, pois quero intensidade. Brando um clarão de vocábulos compostos pela intensidade de um espírito fadigo. São retalhos de uma vida escassa de prosperidade, entretanto, contraditoriamente, o afundarão em questionamentos que movem o globo, e não levam para lugar algum… Pois permaneço onde estou, plana em uma base, transbordada de idéias e distanciada da realidade.
Vivo um paradoxo.
Pois sou finita, possuo extremidades e fins. Entretanto, minha mente coberta pelos segredos veementes e impetuosos que são a cessação de um fim.
Mais um paradoxo: minhas idéias. Que colocam um fim ao fim. Fim do finito, fim da barreira. Vivo em um mundo infinito de constelações de desejos infindáveis.
Outro paradoxo: meus desejos. Que já citados anteriormente, constituem-se na tenuidade de ser infinita. E principalmente: querer morar no amor. “Como se pode morar em sentimentos? Menina tola.” A razão, mais uma vez, incomodando meu ilusionismo que prega a felicidade. Mas desta vez, é analisável. Como morar no sentimento? Talvez ser coberta por ele seja um início agradável.
CUBRAM-ME! CUBRAM-ME DE AMOR! Tornem o intenso da paixão na calmaria do amor e transbordem-me no infinito. E denovo, em brando, esbravejo meu desejo de ser infinita, morar no infinito, fugir. Fugir de mim, desabilitar a doença chamada razão que tende a cortar meu raciocínio poético, e viver do infinito: viver de amor, viver de reticências. “Cale a boca, moça estúpida.” Calo você, se pertences-me, calo-te agora e ponho-te um fim, cara razão. E não ouses pestanejar mais uma vez meu júbilo de voar, pois agora, o infinito me pertence, e eu, o pertenço. Logo eu, que não coloco pontos finais, estabeleço agora uma fronteira, me afasto da razão e fujo de mim. Hoje, sou só mente. Hoje, sou infinito. Hoje, sou amor. E assim serei, infindavelmente. 
(metafrasta)

O infinito soa como um lar. Pertenço ao infindável.

Despertei e afundei-me em mim, pois pertenço ao intenso. O dia passou e perdura em mim o almejo de fugir. Em mim não é o meu lugar predileto, pois possuo extremos: fins. E eu pertenço ao infindável.

Quero morar no amor.

Pois a finita paixão já não me satisfaz. Quero ser viva.

“Mas é claro que você está viva.” O pensamento estúpido cortava minha poesia. “Seus cabelos voam, seu coração pulsa… Você vive, idiota.” Minhas reflexões intervêm na maior delas: minha constante prosa.

Mas aonde eu estava?

Ah sim… É claro! QUERO SER VIVA! Maiúsculo mesmo, pois quero intensidade. Brando um clarão de vocábulos compostos pela intensidade de um espírito fadigo. São retalhos de uma vida escassa de prosperidade, entretanto, contraditoriamente, o afundarão em questionamentos que movem o globo, e não levam para lugar algum… Pois permaneço onde estou, plana em uma base, transbordada de idéias e distanciada da realidade.

Vivo um paradoxo.

Pois sou finita, possuo extremidades e fins. Entretanto, minha mente coberta pelos segredos veementes e impetuosos que são a cessação de um fim.

Mais um paradoxo: minhas idéias. Que colocam um fim ao fim. Fim do finito, fim da barreira. Vivo em um mundo infinito de constelações de desejos infindáveis.

Outro paradoxo: meus desejos. Que já citados anteriormente, constituem-se na tenuidade de ser infinita. E principalmente: querer morar no amor. “Como se pode morar em sentimentos? Menina tola.” A razão, mais uma vez, incomodando meu ilusionismo que prega a felicidade. Mas desta vez, é analisável. Como morar no sentimento? Talvez ser coberta por ele seja um início agradável.

CUBRAM-ME! CUBRAM-ME DE AMOR! Tornem o intenso da paixão na calmaria do amor e transbordem-me no infinito. E denovo, em brando, esbravejo meu desejo de ser infinita, morar no infinito, fugir. Fugir de mim, desabilitar a doença chamada razão que tende a cortar meu raciocínio poético, e viver do infinito: viver de amor, viver de reticências. “Cale a boca, moça estúpida.” Calo você, se pertences-me, calo-te agora e ponho-te um fim, cara razão. E não ouses pestanejar mais uma vez meu júbilo de voar, pois agora, o infinito me pertence, e eu, o pertenço. Logo eu, que não coloco pontos finais, estabeleço agora uma fronteira, me afasto da razão e fujo de mim. Hoje, sou só mente. Hoje, sou infinito. Hoje, sou amor. E assim serei, infindavelmente. 

(metafrasta)

No fundo do oceano, reside um povo de paz. Uma pequena população que não possui conflitos nem preconceito. Uma curta e limitada população, filtrada pelos desejos dos deuses mais simplórios, que almejavam serenidade enquanto projetavam esse nobre povo de fé. Um povo sem combinações, pactos, convênios, tratados ou acordos, pois possuem o dom da regra implantada em si ao dar as primeiras velejadas no fundo do mar: a educação. Um povo musical, que soava para mim como o mi menor do violão, ou o ré agudo de uma flauta doce. Uma população que jamais vociferava, em brandos sussurrava o amor constante ao amigo ao lado. Conclamavam a paz, e a única lei era transparecer a felicidade que o espírito por vezes insistia em espantar, mas não lá… Lá o oxigênio era o amor, e o abraço era o presente, encontrando corações para espantar os maiores males, que lá, não residiam. No fundo do oceano, reside o baú que possui o mais almejado tesouro, na tal canastra transborda esperança, que é o que os seres precisam quando a cabeça tende a abaixar presente a uma dificuldade qualquer. E ao abrir a pequena arca que extravasa esperança e fé, o ser reergue-se na poesia, ainda ao som doce da flauta. No fundo do oceano, há vocábulos de sobra que formam a rima perfeita de um soneto qualquer; verbetes transbordantes de amor e afeto, doando afagos aos que clamam pelo olhar. O fundo do mar não é tão fundo assim, pois lá transborda luz e todo dia é dia e nunca noite, o obscuro – seja interior ou não – não os atinge. Neste simplório e pacífico local, possui apenas um idioma, chamado verdade, todos os sábios por ela se comunicam, e assim, mesmo às vezes sendo dura e áspera, se dissolve no mar, ainda sim, transparecendo amor. No fundo do oceano, a moeda é sorriso, e o emprego é doar amor. Não há guerra nem fome, pois o alimento é o silêncio que agrada, e a guerra some pois reina a harmonia e concórdia, acompanhada por uma generosa dose de júbilo. No fundo do oceano, a fé em si basta, e o velejar é sem velas, pois o vento às vezes não é confiável, e quem dita seu destino é o próprio: você, o deus supremo de si mesmo, quem controla o destino e dita o descaminho. Entretanto, em um dia comum e sempre feliz na terra maravilhosa, que seja a afundada Atlântida ou uma ilha sem terras, um turista chegou até lá. Este turista estudioso vinha da superfície, e seu papel era proclamar o que lá era pecado: ordenar, governar. O turista queria ser supremo, e retirar o que o povo possuía de direito e dever: o mais belo sorriso. E como o idioma era a verdade, o povo foi governado por um homem que não possuía a paz em si, nem sabia o caminho da canastra da esperança. E assim o povo foi pré-extinto e os poucos restantes subiram a superfície e hoje por lá vivem, junto do ser que é domado e proclama o mal: humano. Alguns converteram-se a esta raça impura, mas os outros, são os tais seres que nos guiam ao bem, eu ouso em vos chamar de anjos. O que eles são? A sabedoria que reside em cada um, e o amor que espalha-se pelos mais belos ares.
(metafrasta)

No fundo do oceano, reside um povo de paz. Uma pequena população que não possui conflitos nem preconceito. Uma curta e limitada população, filtrada pelos desejos dos deuses mais simplórios, que almejavam serenidade enquanto projetavam esse nobre povo de fé. Um povo sem combinações, pactos, convênios, tratados ou acordos, pois possuem o dom da regra implantada em si ao dar as primeiras velejadas no fundo do mar: a educação. Um povo musical, que soava para mim como o mi menor do violão, ou o ré agudo de uma flauta doce. Uma população que jamais vociferava, em brandos sussurrava o amor constante ao amigo ao lado. Conclamavam a paz, e a única lei era transparecer a felicidade que o espírito por vezes insistia em espantar, mas não lá… Lá o oxigênio era o amor, e o abraço era o presente, encontrando corações para espantar os maiores males, que lá, não residiam. No fundo do oceano, reside o baú que possui o mais almejado tesouro, na tal canastra transborda esperança, que é o que os seres precisam quando a cabeça tende a abaixar presente a uma dificuldade qualquer. E ao abrir a pequena arca que extravasa esperança e fé, o ser reergue-se na poesia, ainda ao som doce da flauta. No fundo do oceano, há vocábulos de sobra que formam a rima perfeita de um soneto qualquer; verbetes transbordantes de amor e afeto, doando afagos aos que clamam pelo olhar. O fundo do mar não é tão fundo assim, pois lá transborda luz e todo dia é dia e nunca noite, o obscuro – seja interior ou não – não os atinge. Neste simplório e pacífico local, possui apenas um idioma, chamado verdade, todos os sábios por ela se comunicam, e assim, mesmo às vezes sendo dura e áspera, se dissolve no mar, ainda sim, transparecendo amor. No fundo do oceano, a moeda é sorriso, e o emprego é doar amor. Não há guerra nem fome, pois o alimento é o silêncio que agrada, e a guerra some pois reina a harmonia e concórdia, acompanhada por uma generosa dose de júbilo. No fundo do oceano, a fé em si basta, e o velejar é sem velas, pois o vento às vezes não é confiável, e quem dita seu destino é o próprio: você, o deus supremo de si mesmo, quem controla o destino e dita o descaminho. Entretanto, em um dia comum e sempre feliz na terra maravilhosa, que seja a afundada Atlântida ou uma ilha sem terras, um turista chegou até lá. Este turista estudioso vinha da superfície, e seu papel era proclamar o que lá era pecado: ordenar, governar. O turista queria ser supremo, e retirar o que o povo possuía de direito e dever: o mais belo sorriso. E como o idioma era a verdade, o povo foi governado por um homem que não possuía a paz em si, nem sabia o caminho da canastra da esperança. E assim o povo foi pré-extinto e os poucos restantes subiram a superfície e hoje por lá vivem, junto do ser que é domado e proclama o mal: humano. Alguns converteram-se a esta raça impura, mas os outros, são os tais seres que nos guiam ao bem, eu ouso em vos chamar de anjos. O que eles são? A sabedoria que reside em cada um, e o amor que espalha-se pelos mais belos ares.

(metafrasta)

O tal menino pálido.
Pestanejava em meu intelecto tal questionamento: o que havia no menino pálido que o tornava sobressalente sobre todos os outros seres que cruzavam meus passos, caminhando por meus olhos, em desfoque eterno, fazendo transparecer o segundo plano, que sempre era o menino pálido do cabelo contraste. Ele caminhava em direção contrária a mim, enquanto meus olhos o clamavam, sua palidez refletindo o sol, coberto por seu cabelo eclipse, cobria todas as outras cadentes que pelo entardecer, cruzavam e percorriam meus descaminhos, passando pelo menino pálido, mas nunca tampando minha beleza de tal divindade suprema. O menino pálido não apenas se destacava pela dádiva do iluminar em que – ele cintilava em distância considerável, e mostrava-se galhardo e gentil, distanciado e destacando-se – mas também por ser esticado: alto e perceptivelmente magricela, sibilando beleza poética do alto, trazendo dos céus em que ele caminhava, uma hospedagem na minha alma. O menino pálido possuía um adjetivo curioso: uma pequena cova no meio de seu coração. E sempre que abraçastes o menino pálido, ouvirás a pulsação como um motor há 120 milhas por hora, avançando todos os sinais que teu corpo construiu para conter desesperado amor. E o menino pálido alegava ter o coração pequeno, por isso a abismo, por isso a pulsação acelerada… Entretanto, não acredito. O menino pálido, metaforicamente, possuía um coração de capacidade infinita, que cabia tudo – ilusoriamente ou não – deste mundo injusto. Menos as minhas ânsias e medos, desejos súbitos e incontroláveis. Teu coração suporta tudo, qualquer peso, qualquer capacidade, mas o meu não é compatível com o abastecimento da tua alma: não cabe, ultrapassa limites, apenas por eu ser assim mesmo: infinita, intensa. E apesar de querer permanecer dentro do menino pálido, o gostava assim, inteiro, de coração puro e divino, sem as rachaduras que o meu dentro dele causaria… O menino pálido, após cruzar centenas de vezes minha estrada tortuosa – andando com seu desjeito encolhido, captando frascos da humanidade e de alma poética e coberta por covas –gravou a imagem em mim. Rendeu-me uma ou duas poesias, umas linhas de livro e muita inspiração para um novo caminho construir. Não segui com o menino pálido, pois se não havia espaço dentro dele, não contentar-me-ia em seguir os descaminhos do espírito apenas ao lado dele. Então, segui por mim, mas ainda sim, o menino pálido cintila sobre todos, supera o grau de poesia em si, posto no cálice da divindade e bebido por mim: uma mera poetisa que um dia desejou pertencer ao menino pálido. Que hoje segue e brilha para outros olhos, em outras esferas e galáxias. Mas seu brilho ainda é perceptível, e apesar das milhas de distância que pequeno coração com capacidade de voar para longe de mim traçou, ainda enxergo o teu brilho na minha estrada rotineiramente.
(metafrasta)

O tal menino pálido.

Pestanejava em meu intelecto tal questionamento: o que havia no menino pálido que o tornava sobressalente sobre todos os outros seres que cruzavam meus passos, caminhando por meus olhos, em desfoque eterno, fazendo transparecer o segundo plano, que sempre era o menino pálido do cabelo contraste. Ele caminhava em direção contrária a mim, enquanto meus olhos o clamavam, sua palidez refletindo o sol, coberto por seu cabelo eclipse, cobria todas as outras cadentes que pelo entardecer, cruzavam e percorriam meus descaminhos, passando pelo menino pálido, mas nunca tampando minha beleza de tal divindade suprema. O menino pálido não apenas se destacava pela dádiva do iluminar em que – ele cintilava em distância considerável, e mostrava-se galhardo e gentil, distanciado e destacando-se – mas também por ser esticado: alto e perceptivelmente magricela, sibilando beleza poética do alto, trazendo dos céus em que ele caminhava, uma hospedagem na minha alma. O menino pálido possuía um adjetivo curioso: uma pequena cova no meio de seu coração. E sempre que abraçastes o menino pálido, ouvirás a pulsação como um motor há 120 milhas por hora, avançando todos os sinais que teu corpo construiu para conter desesperado amor. E o menino pálido alegava ter o coração pequeno, por isso a abismo, por isso a pulsação acelerada… Entretanto, não acredito. O menino pálido, metaforicamente, possuía um coração de capacidade infinita, que cabia tudo – ilusoriamente ou não – deste mundo injusto. Menos as minhas ânsias e medos, desejos súbitos e incontroláveis. Teu coração suporta tudo, qualquer peso, qualquer capacidade, mas o meu não é compatível com o abastecimento da tua alma: não cabe, ultrapassa limites, apenas por eu ser assim mesmo: infinita, intensa. E apesar de querer permanecer dentro do menino pálido, o gostava assim, inteiro, de coração puro e divino, sem as rachaduras que o meu dentro dele causaria… O menino pálido, após cruzar centenas de vezes minha estrada tortuosa – andando com seu desjeito encolhido, captando frascos da humanidade e de alma poética e coberta por covas –gravou a imagem em mim. Rendeu-me uma ou duas poesias, umas linhas de livro e muita inspiração para um novo caminho construir. Não segui com o menino pálido, pois se não havia espaço dentro dele, não contentar-me-ia em seguir os descaminhos do espírito apenas ao lado dele. Então, segui por mim, mas ainda sim, o menino pálido cintila sobre todos, supera o grau de poesia em si, posto no cálice da divindade e bebido por mim: uma mera poetisa que um dia desejou pertencer ao menino pálido. Que hoje segue e brilha para outros olhos, em outras esferas e galáxias. Mas seu brilho ainda é perceptível, e apesar das milhas de distância que pequeno coração com capacidade de voar para longe de mim traçou, ainda enxergo o teu brilho na minha estrada rotineiramente.

(metafrasta)

+ Uma prévia do amor.

Subitamente, ela chegou. Vestida de luto, com uma expressão teatral nos lábios, desfez-se da masca diária da exatidão do sentir, e posou o olhar na minha expressão terminal. Desde então, ela soube […] soube que era o fim. O meu. Não o nosso. Encontrava-me segurando as laminas que levar-me-iam como ditam os religiosos escassos da sabedoria: a queimar na mais profunda infinidade. Mas eu não… Eu não…

— Não faça isso. — Ela disse, estranhamente, ainda fixada no mesmo ponto crucial no chão. Pois ela sabia, que mais um passo, e talvez fosse tarde demais para um adeus. E isso, ela havia de direito: o adeus.

— Há de se fazer, a escolha não foi minha, está na hora… Sinto que está. — Eu a disse, tentando explicar o porquê da minha partida. Mas ela não merecia porquês. A dor de uma traição foi cravada em mim, mas por amor, partirei. Por amor a mim. Amor a minha alma que será decomposta pelas fadigas do tempo. Amor pela paz que almejo, que ao lado dela, da traidora que possui todo o meu amor, não poderia ter. Por isso, partirei, por amor. Porém, não haveria de contá-la. E também, por puro amor. Amor ainda, a ela, que não merecia a dor de um adeus perpétuo com toda a culpa. Ou talvez merecesse… A questão é: o que sou? O covarde ou o demasiadamente forte?

— Só diga-me o porquê… — Ela clamava com os olhos, curvava-se diante do desespero, como uma alma perdida clamando pelo perdão… E por amor, eu concebia a mentira.

— Pois a vida é injusta e a paz está no submundo. É por amor… — Eu, desprovido da verdade e sem medo do que a mentira causaria ao meu julgamento onde quer que eu estivesse, provocava eufemismos para o bem da minha amada.

— Você ainda me ama? — Ela, sem medo, se aproximava e tocava meus pulsos que, já sangravam.

— Hoje, completa uma vida que eu te amo. — E uma verdade eu teria que dizer…

— Me leva junto contigo? — Ela clamou, desesperançosa.

— Tu és parte de mim, o nós continua a pulsar, mas agora, só por você. — E assim, parti por amor.

[…] e comigo, levei sua alma.

(Metafrasta)

+

Eu em eu.

A maior audácia do ser humano em si é querer definir o incerto, praticar vocábulos para descrever o indescritível. E a maior indefinição humana, é o próprio eu. Suas ações contraditórias que depõe contra si no julgamento final, se é que esse tal tribunal dos céus realmente existe; talvez apenas nós próprios nos julgaremos e decidiremos o fim. Pois a vida humana sempre comparada com um manuscrito de inicio, conteúdo – vasto ou não – e finalmente o fim. E quem escreve o fim? Quem nos projetou ou quem nos desenvolveu – ou seja, nós mesmos? E eu, como humana falha, fúnebre e lutuosa que sou, insisto em desenvolver meu ato exímio de definições. E arrisco-me a escrever o final de meu próprio manuscrito, dar o meu veredicto e traçar o meu infinito, até conduzir-me ao após fim. Assim escrevo meu manuscrito, eu própria em eu mesma. Duas matérias, corpo e espírito, fadigas e retalhos, unem-se em verbetes para ser eu em mim, descrevendo o que eu quero ser, querendo ser o que sou, sendo o que quero ser. E devoro-me neste tal ser vasto por metáforas e linguagem poética que apenas eu em mim desvendo este manuscrito. E me arrisco a afirmar que sou, sou o que restou do ontem, costuras do pretérito que recompõem-se em tecido novo para escrever o clamado fim que se aproxima a cada milésimo de segundo que o relógio dita. E insisto, insisto e reluto contra os sábios que de sábios nada tem, que ditam-nos o que é descritível e o que é apenas para observar, e eles sussurram-nos para não tentar definir o eu, pois tu não conheces teu amanhã. E reluto. Reluto e afirmo que conheço o meu ontem, meu instante anterior a esse, pois o anterior gerará o próximo, isto é: eu conheço o meu amanhã. Por isso defino-me: humana, retalhada, relutante e teima em definições. E esta sou eu, dentro de mim, ilusória e matéria, eu em mim, eu escritora de minha mais recente e exímia obra: eu. 

(metafrasta)

Foi por amor.
Prometo-te, que tudo, tudo, tudo foi por amor […]
Todos os descaminhos e a falta de fé, junto com partidas que partem-me o espírito,  sorrisos quebrados que perdem-se no labirinto ilusório que é a nossa súbita paixão, que também, de súbito partiu-se e virou rotina, uma mera comodidade, e então, se parto agora, não quero partir-te, e juro-te: foi por amor. Pois não queria-te algemado numa maçante rotina dura, e sei bem – sei porque te amei – que a maré tocando teus pés não é o que desejas, mas sim surfar nos mais extensos tubos, cobertos pela maior beleza e choques de adrenalina que pode-se imaginar, então, anjo belo, se deixei-te, foi por amor. Oh, meu bem, não manche meus escritos de lágrimas cobertas por arrependimento vago e ilusório, não quero dizer-te que teu pranto é falso, mas teu lamento não convém a esta situação, pois se tu amas hoje, amarás amanhã, então cicatriza tua alma, e saiba que se fui, foi por amor. E se disse-te que nunca partiria, não pense que menti: nunca partirei este caminho bonito traçado com o rubi do teu olhar, mas partirei de corpo e alma, não deixando minha ausência presente, por amor a nós e ao que foi construído; não deixarei o bonito partir-se, por isso, se fui-me, foi por amor. Amor ao pretérito – mais que perfeito – que selamos com um beijo sem despedidas, apenas para quebrar o amor-rotina que havia sido traçado em nós, selamos a primavera doce; que hoje para tu parece amarga, mas juro-te que é o doce mais almejado pela humanidade, e se vou-me, anjo, foi por amor.  E é este amor que consome a falta de amor presente nas partidas bruscas, e é este amor – belo e calmo – que encaixa-se perfeitamente nas pessoas mais puras, é este amor, que faz brotar frutos nas árvores, que faz gerar criações de amor, que faz nascer beleza no impuro. E este amor, meu bem, que não coube-se a nós: almas semelhantes, com ações opostas. Nosso amor foi falho, e no amor falha não há, por isso, parto… E juro-te: se parto hoje, é para zelar o que um dia clamou ser amor, é para não sustentar esta doença chamada rotina, para não almejar mais paz pois de paz já há o colo de mãe, mas sim as surpresas que a paixão nos trás, as esperas de espreita pela respiração que prende-se na amídala, querendo sair, presa em si, criando asas após desviar o olhar, e deixando a paz – que é a única gostosa – da paixão que vai e dá certeza que volta. Por isso, veja bem, meu bem, parto hoje, para não partir o que chamamos de amor.
E se parti, foi por amor […]
(metafrasta)

Foi por amor.

Prometo-te, que tudo, tudo, tudo foi por amor […]

Todos os descaminhos e a falta de fé, junto com partidas que partem-me o espírito,  sorrisos quebrados que perdem-se no labirinto ilusório que é a nossa súbita paixão, que também, de súbito partiu-se e virou rotina, uma mera comodidade, e então, se parto agora, não quero partir-te, e juro-te: foi por amor. Pois não queria-te algemado numa maçante rotina dura, e sei bem – sei porque te amei – que a maré tocando teus pés não é o que desejas, mas sim surfar nos mais extensos tubos, cobertos pela maior beleza e choques de adrenalina que pode-se imaginar, então, anjo belo, se deixei-te, foi por amor. Oh, meu bem, não manche meus escritos de lágrimas cobertas por arrependimento vago e ilusório, não quero dizer-te que teu pranto é falso, mas teu lamento não convém a esta situação, pois se tu amas hoje, amarás amanhã, então cicatriza tua alma, e saiba que se fui, foi por amor. E se disse-te que nunca partiria, não pense que menti: nunca partirei este caminho bonito traçado com o rubi do teu olhar, mas partirei de corpo e alma, não deixando minha ausência presente, por amor a nós e ao que foi construído; não deixarei o bonito partir-se, por isso, se fui-me, foi por amor. Amor ao pretérito – mais que perfeito – que selamos com um beijo sem despedidas, apenas para quebrar o amor-rotina que havia sido traçado em nós, selamos a primavera doce; que hoje para tu parece amarga, mas juro-te que é o doce mais almejado pela humanidade, e se vou-me, anjo, foi por amor.  E é este amor que consome a falta de amor presente nas partidas bruscas, e é este amor – belo e calmo – que encaixa-se perfeitamente nas pessoas mais puras, é este amor, que faz brotar frutos nas árvores, que faz gerar criações de amor, que faz nascer beleza no impuro. E este amor, meu bem, que não coube-se a nós: almas semelhantes, com ações opostas. Nosso amor foi falho, e no amor falha não há, por isso, parto… E juro-te: se parto hoje, é para zelar o que um dia clamou ser amor, é para não sustentar esta doença chamada rotina, para não almejar mais paz pois de paz já há o colo de mãe, mas sim as surpresas que a paixão nos trás, as esperas de espreita pela respiração que prende-se na amídala, querendo sair, presa em si, criando asas após desviar o olhar, e deixando a paz – que é a única gostosa – da paixão que vai e dá certeza que volta. Por isso, veja bem, meu bem, parto hoje, para não partir o que chamamos de amor.

E se parti, foi por amor […]

(metafrasta)

»